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Debates sobre o fim da escala 6×1 vem ganhando força no Brasil

Agatha Victoria Reis

Por Agatha Victoria Reis

O debate sobre o fim da escala 6×1 tem ganhado força no Brasil e levantado questionamentos sobre os impactos econômicos da possível mudança. Entre as preocupações apontadas por especialistas e setores do comércio está a possibilidade de aumento nos preços dos alimentos nos supermercados.

O projeto, que tramita desde fevereiro de 2025, propõe o fim da escala 6×1 com o objetivo de promover melhor qualidade de vida aos trabalhadores e mais tempo para o convívio familiar. Mas, quais seriam os possíveis impactos dessa mudança no varejo alimentar?

Impactos nos supermercados?

Dividindo opiniões entre a necessidade de alterações constitucionais diretas ou a adoção de modelos flexíveis negociados entre empresas e trabalhadores.

Para o setor varejista, no entanto, a mudança pode representar aumento nos custos trabalhistas, já que seria necessário ampliar o número de funcionários para manter o funcionamento das atividades.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), manter o número atual de horas trabalhadas por meio da contratação de novos trabalhadores poderia gerar um custo adicional de cerca de R$ 178,2 bilhões por ano para as empresas.

“Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, diz o presidente da CNI, Ricardo Alban em documento.

Já a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) alerta para o risco de impacto inflacionário.

De acordo com o ranking 2025/2026 da entidade, a margem líquida do setor varejista é considerada estreita, variando atualmente entre 2,1% e 2,7%. Com o fim da escala 6×1, essa margem poderia cair ainda mais.

A mudança na jornada de trabalho pode levar supermercados a enfrentar aumento de custos operacionais, o que poderia pressionar os preços dos produtos. 

Segundo análises da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a lucratividade do setor pode cair cerca de 5,7%, o que representaria uma redução de aproximadamente R$ 73,31 bilhões para acomodar os novos custos.

Apesar das projeções de aumento de custos para o setor, especialistas destacam que não há consenso de que a mudança resultará automaticamente em alta nos preços dos alimentos.

Isso porque a renda da população pode não ser suficiente para absorver reajustes expressivos, segundo o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes.

Contrapontos e possíveis benefícios

Por outro lado, defensores da redução da jornada de trabalho apontam possíveis benefícios sociais e econômicos.

Segundo a cartilha “Reduzir a jornada é gerar empregos”, publicada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em dezembro de 2004, jornadas extensas dificultam o convívio familiar e social e aumentam o risco de problemas de saúde. 

A redução da jornada, portanto, poderia contribuir para a melhora da qualidade de vida dos trabalhadores, além de proporcionar mais tempo para atividades pessoais e de cuidado.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) também contesta a ideia de que a redução da jornada provocaria automaticamente queda no Produto Interno Bruto (PIB) ou aumento do desemprego.

 Nesse sentido, especialistas apontam que a mudança pode incentivar ganhos de produtividade e até estimular a contratação de novos trabalhadores.

“O possível impacto sobre o PIB deve ser sopesado com o aumento da qualidade de vida do trabalhador, o tempo disponibilizado para a realização de tarefas de cuidados e as consequências para a melhora da saúde da população”, explicou Felipe Pateo, técnico de planejamento e pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas Sociais. 

 

 

https://atarde.com.br/economia/supermercados-em-2026-mudanca-na-jornada-de-trabalho-pode-afetar-o-pr-1381829?_=amp

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