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Empresa flagrada em centro do Grupo Zema é incluída na lista suja do trabalho escravo

Caso revelado pelo Brasil de Fato já motivou reação da ALMG após flagrante de jornadas de até 19 horas em Araxá

Os trabalhadores eram motoristas da empresa Cidade das Águas Transportes, contratados para levar móveis e eletrodomésticos às lojas do Grupo Zema
Os trabalhadores eram motoristas da empresa Cidade das Águas Transportes, contratados para levar móveis e eletrodomésticos às lojas do Grupo Zema | Crédito: Divulgação/MTE
O governo federal atualizou, nesta segunda-feira (6), a lista suja do trabalho escravo e incluiu entre os novos nomes a empresa Cidade das Águas Transportes. O caso da transportadora, revelado com exclusividade pelo Brasil de Fato em abril de 2025, expôs a submissão de 22 motoristas a condições análogas à escravidão enquanto prestavam serviço no Centro de Distribuição e Apoio do Grupo Zema, em Araxá (MG). Após a publicação da denúncia,

A entrada da empresa no cadastro oficial do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) reforça um episódio que atingiu diretamente a holding da família do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Os trabalhadores faziam o transporte de móveis e eletrodomésticos para lojas do grupo e, segundo a fiscalização, enfrentavam jornadas exaustivas que chegavam a 19 horas por dia.

A operação foi realizada em 4 de fevereiro deste ano, dentro do próprio centro de distribuição do grupo, com participação de auditores fiscais do trabalho, procuradores do Ministério Público do Trabalho e policiais rodoviários federais. Segundo a apuração revelada pelo Brasil de Fato, os dados que embasaram a autuação foram encontrados em papeletas, planilhas e roteiros de transporte disponíveis no local, com registros de saída, chegada e duração das viagens.

Os documentos analisados pela fiscalização mostraram que os motoristas chegavam a trabalhar até 19 horas por dia. Entre as irregularidades identificadas estavam a ausência de 11 horas de descanso dentro do período de 24 horas, a supressão do intervalo mínimo para refeição, a extrapolação do limite legal de horas extras e a falta de escala de revezamento para trabalho aos domingos.

Em um dos depoimentos colhidos pelos auditores, um motorista afirmou cumprir jornada média de 16 horas diárias e relatou que, em algumas entregas, chegou a trabalhar por 26 horas seguidas. Ele disse ainda que almoçava na boleia do caminhão e que, em várias ocasiões, precisou dormir no próprio veículo.

A fiscalização também apontou que os motoristas atuavam em serviço exclusivo para a Eletrozema. Conforme o relatório, as rotas eram definidas a partir do centro de distribuição do Grupo Zema, e os trabalhadores só deixavam o local após liberação ligada à operação de transporte. Em cada ponto de descarga, gerentes das lojas registravam data, horário e número do lacre do baú. Na volta, a chegada dos motoristas era novamente anotada no centro de distribuição.

Esse encadeamento operacional foi um dos elementos que deram densidade ao caso, por mostrar que as jornadas excessivas não eram um dado abstrato, mas parte da engrenagem de abastecimento das lojas do grupo. Na esteira da denúncia, a deputada estadual Bella Gonçalves (Psol-MG), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, informou que o colegiado realizaria oitivas e acompanharia o desdobramento das investigações.

Atualização amplia lista

A nova atualização da lista suja acrescentou 169 empregadores, o que representa aumento de 6,28% em relação à versão anterior.

Desse total, 102 são pessoas físicas e 67 são empresas.

Os casos incluídos ocorreram entre 2020 e 2025, em 21 unidades da Federação.

Minas Gerais concentrou o maior número de inclusões, com 35 nomes. Na sequência aparecem São Paulo, com 20, Bahia e Paraíba, com 17 cada, e Pernambuco, com 13.

Entre as atividades econômicas com maior número de empregadores incluídos estão os serviços domésticos, com 23 registros, a criação de bovinos para corte, com 18, o cultivo de café, com 12, e a construção de edifícios, com dez.

Outro lado

Procurado novamente pelo Brasil de Fato, o Grupo Zema não respondeu até a publicação desta matéria.

O jornal não obteve contato com a Cidade das Águas.

Quando o caso foi revelado, em abril de 2025, a transportadora afirmou que foi impedida de exercer o contraditório e a ampla defesa durante a fiscalização e sustentou que houve uma interpretação “arbitrária” dos auditores, “fora da realidade vivenciada pelos funcionários”.

Na ocasião, a empresa também declarou ser cumpridora da legislação trabalhista, disse preservar os direitos individuais e coletivos de seus empregados e rebateu a caracterização de trabalho análogo à escravidão.

O ex-governador Romeu Zema também foi procurado e não se manifestou até a publicação deste texto.

Qualquer novo posicionamento será publicado. 


Empresa flagrada em centro do Grupo Zema é incluída na lista suja do trabalho escravo

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1 Comentario

  1. Bolsominios lixo!

    Aos costumes dos bolsonaristas, os canalhas só querem explorar as pessoas e ainda tem um monte de gado pobre, endeusando essa raça ruim.

    Reply

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